domingo, 27 de janeiro de 2008

O SABOR DO VINHO

"Era uma vez uma aldeia muito distante e de difícil acesso, onde ninguém jamais havia experimentado o gosto do vinho. A despeito disso, de boca em boca, corriam histórias de como essa bebida era especial e maravilhosa, aumentando em todos a vontade e a curiosidade de conhecer o seu sabor. Um dia, um comerciante espertalhão, o único que de tempos em tempos passava pelo lugar e, portanto, conhecia o grande desejo de seus habitantes, chegou à aldeia trazendo alguns tonéis de vinagre, que comprara no caminho por uma ninharia.Em grande estilo, reuniu a população na praça principal e anunciou que, finalmente, todos poderiam conhecer o que era vinho, em troca, é claro, de um pagamento à altura da realização desse grande sonho.Após tomar uma grande taça (com vinho mesmo porque ele não era bobo de tomar vinagre...), convidou a todos que quisessem fazer o mesmo por uma elevadíssima quantia em dinheiro. Os mais ricos da aldeia foram os primeiros a experimentar o tal “vinho”. Embora o gosto lhes parecesse intragável, todos fizeram cara boa e repetiram a dose diversas vezes, querendo mostrar aos demais toda a sua riqueza e poder de compra. O gesto e a reação dos mais ricos animou os remediados que faziam tudo para se passar por ricos e, dessa forma, também embarcaram no embuste, ao custo de aumentar o seu endividamento pessoal. Os mais pobres também não ficaram atrás, dando um jeito de se cotizarem para comprar nem que fosse apenas uma taça da “preciosidade” , com direito a um gole para cada um. Secretamente, todos acharam o tal vinho uma bebida horrível, mas ninguém teve coragem de declarar isso em público. Ao contrário. Para justificar o preço que pagaram, todos se desdobravam em elogios e mais elogios ao extraordinário sabor e propriedades incríveis do tal do vinho. Assim foi que o comerciante espertalhão não apenas vendeu rapidamente - e por um preço exorbitante - todo o seu estoque de vinagre como ainda recebeu altas encomendas para quando retornasse à aldeia. Com o tempo, e com um lucro enorme, tornou-se revendedor exclusivo do vinagre que o povo da aldeia acostumou-se a chamar de vinho e a apreciar imensamente já que, com o tempo, as pessoas se acostumam a tudo, até mesmo ao sabor do vinagre...Mas também com o tempo, as distâncias foram se encurtando e aquela aldeia, antes isolada do mundo, começou a receber viajantes de outros lugares que achavam muito engraçado o povo do lugar tomar vinagre como se fosse vinho. A grande maioria dos viajantes, por respeito aos costumes do lugar ou medo de questionar a razão dessa prática maluca, tomava o vinagre como se fosse vinho, sem dizer nada, pelo tempo q ali permanecesse. E assim o tal comerciante espertalhão continuava sossegado, faturando alto, até que um dia chegou ao lugar um verdadeiro comerciante de vinhos que, ao provar o “vinho” do lugar, cuspiu fora a coisa e na mesma hora gritou, em alto e bom som:- Isso não é vinho! É vinagre e é horrível! Além do mais é absurdo o preço que vocês pagam por uma porcaria dessas!..."
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E no final da história o comerciante honesto acabou numa fogueira por ninguém aceitar a "sua verdade"...
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MORAL DA HISTÓRIA: Muitas vezes a gente não questiona as coisas ruins de nossas vidas, apenas engole mesmo isso nos fazendo mal.
Tudo isso em nome do que os outros vão pensar ou falar se eu tomar uma atitude diferente do que chama de "normal".
Aceitamos como regras algumas coisas mesmo não sendo aquilo que acreditamos.
E o pior ... engolimos o que é ruim... por muito tempo ou até mesmo pela vida inteira por falta de coragem... comodimo e várias outras razões.

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